A pergunta acima inquieta várias vozes políticas pró-ou contra o regime pós-revolucionário cubano. Decerto, a ilha não é um paraíso proclamado por alguns setores míopes da esquerda, tampouco o inferno abominado pelas elites econômicas e midiáticas. Cuba e o regime castrista tem muito a nos ensinar, tanto positivamente como negativamente. Os atos solidários, as missões médicas, a educação e saúde de qualidade, o incentivo ao esporte. Porém, a falta de liberdade contradiz a própria idéia de socialismo. “A redução da teoria e análise marxistas a formulações dogmáticas, a repressão de toda a dissidência, o controle total da imprensa e da educação acabam por eliminar todo o verdadeiro debate de idéias na sociedade” afirma o jornalista Carlos Gabetta. O fato de um país tão pequeno como Cuba, de PIB tão irrelevante para o mundo despertar tamanha atenção aponta a importância geopolítica do país que outrora fora uma colônia produtora de açúcar e um puteiro de luxo para a classe alta estadunidense.
Com certeza a morte de Fidel provocaria uma tara da direita internacional, especialmente dos EUA, de dar um golpe militar para implantar mais uma democracia representativa nos moldes idealizados pelo projeto neoliberal, com reformas capitalistas que almejariam mais uma destruição de um modelo sócio-econômico alternativo do que propriamente a instalação de uma democracia de fato. Porém, não se sabe quando isso pode vir a acontecer e se seria viável uma intervenção militar ou uma transição pacífica ao capitalismo. Durante o período de doença do “comandante”, o seu irmão Raúl Castro assumiu o governo e emerge como sucessor natural de Fidel. Mas Raúl é apenas 3 anos mais novo do que o irmão, que já está em idade avançada. Ou seja, será chegada a hora de passar o bastão para os mais jovens que não foram protagonistas da revolta que tomou o poder em 59 e que como os indivíduos massificados do livro 1984, de George Orwell, não tem conhecimento real de como eram as coisas antes da revolução. A consciência revolucionária parece ser grande no país, mas a necessidade de mudanças parece maior ainda depois de quase 50 anos desse regime.
Em artigo para a edição argentina do Le Monde Diplomatique, Gabetta aponta a possibilidade de uma transição não-capitalista, embalada pela ascesdência das esquerdas latino-americanas, com abertura política do regime e reformas econômicas de inspiração socialista para combater a total panificação estatal.
Desperta uma grande curiosidade saber o que o futuro reserva para a paradisíaca ilha caribenha, todavia, não se deve precipitar. Fidel continua vivo. E falante… Uma voz que, por sua história, não pode ser desprezada.
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March 5, 2008
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