Há pouco comemoramos o Dia das Mães, tradicionalmente celebrado no segundo domingo de maio, data oficializada por Getúlio Vargas em 1932. Aparentemente se refere a uma data herdada da tradição estadunidense. O estabelecimento do domingo como dia oficial permite que mães e filhos passem o dia juntos. Na Bolívia, porém, o dia Dia das Mães tem data específica: 27 de maio. Ao invés de copiarem a data, fizeram em homenagem a um acontecimento histórico boliviano: a Batalha de La Coronilla, quando houve um grande enfrentamento mulheres contra a dominação espanhola.
O episódio aconteceu em Cochabamba no ano de 1812, quando diante da derrota das tropas independentista, as mulheres cochabambinas se insurgiram e enfrentaram as tropas reais na montanha conhecida como La Coronilla. Obviamente, houve um grande massacre, mas o dia das mães marca a homenagem ao gesto heróico dessas bravas mulheres.
A força da mulher boliviana é notável. A Ministra da Justiça, por exemplo, é uma mulher de origem camponesa. Por todo país, especialmente no altiplano, é possível ver mulheres- muitas delas com vestimentas tradicionais- carregando imensas bolsas nas quais levam os produtos que vendem em suas barracas de comércio, ou camponesas que caminham muitos quilometros para levar sua colheita para serem vendidas em feiras. Não é estranho que trabalhem em profissoes tradicionalmente ocupadas por homens, como taxistas ou motoristas de onibus, ou até mesmo na construção civil.
Andando por La Paz pode-se avistar cartazes que anunciam duelos de luta livre entre “Cholitas”- assim chamam as mulheres que usam roupas tradicionais. A princípio achei que fosse uma bizarrice feita pra gringos ver, um estilo freak show. De fato, as lutas de cholitas estão cada vez mais populares, atraindo tanto boliviano quanto estrangeiros. Mas talvez olhando mais a fundo pode-se tirar belas liçoes dessas mulheres sofridas e guerreiras que mais uma vez ocupam um lugar que tradicionalmente era exclusivo para homens.
A luta livre é um esporte muito popular na Bolívia, naqueles moldes mexicanos que são muito mais um espetáculo encenado do que propriamente um luta. A repórter brasileira Natalia Viana esteve lá e escreveu para o site Opera Mundi. A TV Contramano produziu uma reportagem especial com entrevistas com essas lutadoras. Veja abaixo:
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May 27th, 2010 at 5:57 pm
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