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Primeira produção sul-americana a ganhar o Oscar de melhor filme estrangeiro (1986), o argentino A História Oficial é um drama conduzido no período da ditadura militar no país. A trama tem como personagem principal Alícia, uma rigorosa professora de história de ensino secundário. Casada com um homem de negócios bem sucedido e influente, ela possui uma filha adotiva de 5 anos com a qual tem excelente relação. A volta de uma grande amiga que estivera exilada por anos devido à perseguição dos militares causa uma grande confusão na professora ao revelá-la a crueldade do regime e a faz atentar para a possibilidade de que sua filha pudesse ter sido gerada por uma desaparecida política.

A professora passa então a buscar desvendar o mistério e a identidade da mãe biológica de sua filha e a questionar seu marido, que a refuta. Acaba por conhecer pessoas que buscam por seus entes desaparecidos. Em meio a isso, em sala de aula, um de seus alunos passa a contestar os dados de suas classes, ao afirmar que a história oficial é contada pelos assassinos e vencedores, daí o nome do filme.

Apesar de passados décadas do ocorrido a obra não chega a ser distante. Os argentinos são muito exigentes em relação à memória da ditadura e seus crimes. Há anos, o presidente Néstor Kirshner aprovou a abertura dos arquivos militares. Um importante movimento presente no filme foi a associção das Mães da Praça de Maio, que nos anos de chumbo enfrentou o regime exigindo saber onde estavam seus filhos desaparecidos durante a ditadura. A associação existe até hoje e ganhou forma de um movimento social duradouro e combativo, mantendo a luta pelo esclarecimento dos crimes políticos e incorporando diversas outras bandeiras em busca da justiça social no país.

O tema retratado em A História Oficial é mais recorrente do que pode parecer. Muitas mães foram privadas de seus filhos nessa época sombria e uma polêmica recente reacende a questão na Argentina. Suspeita-se (veja reportagem) de que os filhos da presidente do Grupo Clarín, o mais importante conglomerado de mídia do país, possam haver sido retirados de mães e casais perseguidos políticas e/ou desaparecidos. Não é de se estranhar que o caso tenha recebido um grande silêncio na imprensa de países como o Brasil, num exemplo do conchavo midiático dos grandes meios.

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